ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil
Enviada em 12/02/2025
A obra “Torto Arado”, de Itamar Vieira Junior, retrata a história fictícia de uma comunidade de trabalhadores negros sob ataque por preservarem sua cultura e reivindicarem seus direitos. Perpassando da ficção para a sociedade contemporânea, nota-se a manutenção de diversos empecilhos para a valorização da herança africana no Brasil. A partir desse contexto, é necessário discutir sobre os principais impasses para a valorização do legado africano na sociedade brasileira.
Nesse sentido, é válido pontuar o quanto o apagamento histórico tem sido responsável pela desvalorização da herança africana no Brasil. Isso acontece porque, à medida que as raízes históricas e a cultura de um povo vão sendo apagadas, cresce a alienação de seus descendentes, que não entendem nem sua origem, nem sua cultura. Tal processo de apagamento se intensificou quando, em 1891, Rui Barbosa, então ministro da Fazenda, ordenou a destruição dos documentos de escravos recém-libertos, negando-lhes a identidade e a história.
Além disso, percebe-se, como principal fator da desvalorização do legado africano no Brasil, o racismo estrutural. Isso acontece devido à constante perseguição a indivíduos praticantes de religiões afro-brasileiras e à não oferta de oportunidades para que estes exerçam sua religiosidade sem medo de represálias, uma vez que, segundo dados do Disque Direitos Humanos, o número de denúncias de intolerância religiosa cresceu 80% entre 2022 e 2023.
Portanto, urge que o Governo Federal, junto ao Ministério da Educação – órgão responsável pelo ensino no Brasil –, crie um programa de valorização da cultura africana, que, por meio de palestras e aulas para todos os níveis de educação e instituições de ensino, busque conscientizar sobre a ancestralidade africana e o respeito à liberdade de expressão religiosa, a fim de mitigar os efeitos da desvalorização da herança africana no Brasil.