ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil
Enviada em 29/05/2025
No livro “O arcaísmo como projeto”, os historiadores João Fragoso e Manolo Florentino abordam os efeitos da escravidão no Brasil colonial e a extensão dessa prática que passava de unicamente comercial e construía as bases de uma sociedade estruturalmente racista. Apesar de escrito no início do século, a análise feita no livro mostra-se verossímil hodiernamente, como observado na desvalorização da herança africana e negação do passado histórico nacional. Dentre os fatores que contribuem para a perpetuação desse cenário, a falta de conhecimento histórico e a marginalização da cultura preta demonstram uma grande influencia negativa.
A priori, cabe ressaltar que grande parte da sociedade brasileira desconhece a construção histórica das práticas culturais negras no país. A obra fictícia “Um defeito de cor” narra, em meio a um romance, diversos aspectos do cotidiano dos negros escravizados e da expressividade cultural exercida mesmo em meio a um contexto repressivo. Ainda assim, o desconhecimento acerca da realidade narrada no livro que se traduzia no Brasil colonial e a negação ao próprio passado prejudicam a valorização para herança africana no Brasil.
Outrossim, a marginalização da cultura africana, resultado de estereótipos pejorativos, contribui para a perpetuação da desvalorização cultural negra e para a construção de uma elite cultural branca. Desta forma, diversos ritmos, culinárias, religiosidades e indiossincrasias oriundas desses povos são fortemente reprimidas e estigmatizadas, causando um cenário de hostilização da herança africana e supervalorização da cultura europeia, que se torna um símbolo de alta posição na hierarquia social.
Em suma, os argumentos supracitados montam um cenário desafiador para a valorização dessa herança e superação desses preconceitos. Sendo assim, o Ministério da Cultura deverá promover, por meio de um programa educacional para crianças e adolescentes, a criação de diversos centros que executem atividades culturais africanas de maneira gratuita, a fim de letrar as novas gerações e romper o ciclo de ignorância e marginalização promovido pelas gerações anteriores, como abordado em “O arcaísmo como projeto”.