ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil
Enviada em 17/06/2025
Segundo Barão de Itararé, um dos criadores do jornalismo alternativo no Brasil, durante o governo militar, “O Brasil é feito por nós, só falta desatar os nós”. Nesse sentido, os desafios para a valorização do legado africano no Brasil comportam-se como alguns dos “nós” que precisam ser desatados. Dessa forma, faz-se imprescindível compreender quais são esses desafios e quais as consequências da desvalorização dessa herança que ocorre no Brasil.
O racismo estrutural é uma questão antiga na esfera mundial, entretanto, é um problema que ainda perdura na sociedade nacional. Os inúmeros casos de “cyberbullying”, agressões físicas e verbais, discriminações sociais e econômicas que indivíduos de pele preta e traços negroides sofrem são características desse racismo e um dos principais desafios para a valorização dos ancestrais africanos deles. Ademais, a influência midiática, sobretudo negativa, sobre a imagem do negro, o papel e a história que os africanos desempenharam no Brasil, fomenta esse racismo e também enquadra-se como um dos desafios da valorização de sua herança.
Diante desse cenário, é importante destacar as consequências negativas do detrimento do legado do povo africano. Sob essa ótica, a socióloga francesa Simone de Beauvoir desenvolveu o conceito de “Invisibilidade Social”, que diz respeito ao processo de apagamento e de marginalização de determinados grupos excluídos na sociedade. Nesse contexto, os descendentes de africanos sofrem o processo de Invisibilidade Social, já que vivem à margem da sociedade devido ao racismo estrutural citado anteriormente.
Portanto, torna-se evidente a importância da exaltação da herança histórico-cultural que os povos africanos transmitiram para a nação brasileira, porém, para que se concretize eficientemente, cabe ao Estado - especificamente o Ministério da Cultura - promover a criação de projetos de extensão, centrados ao estudo e conhecimento da cultura e tradições africanas que marcaram sua vinda ao Brasil, por meio de investimentos e parcerias com Museus, a fim de promover a disseminação da cultura deles em todo o Brasil e dessa forma desatar os “nós” descritos por Barão de Itararé.