ENEM 2024 - Desafios para a valorização da herança africana no Brasil

Enviada em 11/07/2025

A partir da Constituição de 1988 entende-se que o Brasil é laico, mas nas notas das cédulas da moeda do país está escrito: “Deus seja louvado”. Em contraponto, de forma corriqueira, templos religiosos de matriz africana são destruídos, e, no dia a dia, seus praticantes sofrem preconceito e estigmatização. Demonstrando assim, o reflexo de como a cultura e características desses povos são percebidas pela sociedade.

Apesar de quase metade da população “tupiniquim” ser preta ou parda, sua riqueza e história são apagadas e também criminalizadas, vistas por muitos como algo inferior. Nesse sentido, projetos de Lei criminalizando o “funk” demonstram na prática a perpetuação de preconceitos que muitas vezes são implícitos. A riqueza cultural do carnaval é “demonizada”, as aulas do Ensino Médio não contam sobre a época de ouro da África, indicação do lugar social em que esses indivíduos e sua memória são posicionados.

Não obstante, a ocorrência da invisibilidade ou menosprezo de traços importantes desse grupo social reflete a urgência de inclusão e minimização do estigma de crenças infundadas. Isso porque a história da nação ser relativizada prejudica o entendimento dos brasileiros como cidadãos, e também como evitar novos ciclos sociais. Afinal, sem estudo e conhecimento os acontecimentos se repetem, mudando personagens mas com nuances similares.

À vista do exposto, entende-se como imprescindível a manutenção por meio do poder judiciário de Leis que permeiam a Constituição, tal qual a que criminaliza o racismo. Além disso, fazendo um trabalho integrador em parceria com escolas e meios informativos digitais do Governo, para maior divulgação da história africana. Como por exemplo, com a inclusão no currículo educacional, além do tema clichê da escravidão. Assim, por meio da informação e asseguração dos direitos humanos, aos poucos, a herança não se perde nem se apaga.