ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 19/08/2025

Ao longo do desenvolvimento das expressões artísticas brasileiras, tais como composições musicais, artes visuais e escolas literárias, a exemplo do Realismo e do Modernismo, moldaram-se os valores e as visões sociais do país sob diversas óticas. Entretanto, perpetua-se a invisibilização da perspectiva artística periférica, pouco valorizada no cenário cultural nacional. Este fato decorre da elitização de espaços culturais e da ausência de políticas públicas inclusivas.

Segundo o ator Ricardo Fernandes, do filme Cidade de Deus, “a arte periférica só é vista quando atravessa o muro da favela e se adapta ao gosto da elite”. Essa afirmação é corroborada por dados do Elite Quality Index 2025, que apontam o controle sistemático da elite para preservar seus privilégios, inclusive no campo cultural, por meio da manipulação da concentração de investimentos em regiões centrais e elitizadas. Essa estrutura impede que artistas periféricos tenham acesso a editais, formação técnica e redes de circulação, restringindo seu alcance público.

Somando-se a isso, a escassez de políticas públicas inclusivas limita as oportunidades de contato e compartilhamento cultural dos indivíduos da comunidade. De acordo com o Atlas da Cultura Brasileira, mais de 80% dos municípios não possuem teatros ou cinemas, e cerca de 70% não contam com bibliotecas públicas em pleno funcionamento, demonstrando a negligência para com a população.

Conclui-se, portanto, que, a fim de expandir o alcance da arte de periferia no cenário cultural brasileiro, é imperativo que o Ministério da Cultura, em parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais, implemente medidas estruturantes, como a criação de centros culturais em regiões marginalizadas, com infraestrutura adequada e profissionais capacitados, além de suporte técnico aos artistas locais. Cabe também à mídia e às instituições educacionais promover campanhas de valorização da arte periférica, por meio de festivais, exposições e conteúdos pedagógicos que estimulem o reconhecimento da diversidade cultural. Dessa forma, a expressão artística da comunidade será valorizada.