ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 08/09/2025
O filósofo Aristóteles, na Mimese, defende a existência de uma relação intrínseca entre manifestações artísticas e o meio em que elas são constituídas, afirmando que a arte imita a natureza. Essa imitação é percebida no cenário cultural brasileiro da arte de periferia, em que valores advindos desse espaço geográfico emanam nas obras. Mesmo diante da relevante carga cultural, esse movimento ainda enfrenta dois grandes desafios para sua valorização: o preconceito e a capitalização da arte. Nesse sentido, é imprescindível superar tais problemáticas e atribuir o valor devido às produções artísticas em questão.
Em primeira análise, destaca-se o preconceito como entrave para a valorização da arte da periferia. O sociólogo Karl Marx, em sua teoria das Classes Sociais, apresenta a predominância da validação da sociedade ao que é ligado às classes mais abastadas em detrimento do que se relaciona às classes inferiores. Dessa forma, a arte da periferia, por ser repleta de traços do seu contexto de produção, é vista como inferior à dos demais movimentos artísticos, evidenciando um preconceito da sociedade no tocante à sua origem e aos valores que ela veicula.
Ademais, outro agravante da problemática é a capitalização da arte. No período do Renascimento, houve o advento das pinturas e esculturas que retratavam o mundo e o homem com perfeição de detalhes. Esse modelo artístico foi e continua consagrado, sendo avaliado em proporções significativas no âmbito monetário. Essa capitalização evidencia a ideia de que o valor financeiro e o valor cultural são sinônimos, levando ao desprestígio de manifestações populares que não estão em museus, mas no cenário urbano, como a arte periférica.
Portanto, urge a necessidade de que o Ministério da Educação, por meio de cursos e da reformulação de materiais didáticos, promova um investimento conciso em formação escolar para professores e, consequentemente, para estudantes sobre as correntes artísticas periféricos e sua relevância. Além disso, é dever do Ministério da Cultura, em articulação com os museus e galerias de arte brasileiros, promover exposições de artistas desse movimento mediante projetos de incentivo cultural, objetivando a divulgação da arte brasileira de todas as origens e a valorização daquela que transcende uma cultura tão poderosa: a da periferia.