ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 13/09/2025
O filósofo Aristóteles, na Mimese, defende a existência de uma relação intrínse-ca entre manifestações artísticas e o meio em que elas são constituídas, afirmando que a arte imita a natureza. Essa imitação é percebida no cenário cultural brasileiro da arte de periferia, em que valores advindos desse espaço geográfico transcorrem nas obras. Mesmo diante da relevante carga cultural, esse movimento ainda en-frenta dois grandes desafios para sua valorização: o preconceito e a capitalização da arte. Nesse sentido, é imprescindível superar tais problemáticas e atribuir o va-lor devido às produções artísticas em questão.
Em primeira análise, destaca-se o preconceito como entrave para a valorização da arte da periferia. O sociólogo Karl Marx, em sua teoria das Classes Sociais, apre-senta a predominância da validação da sociedade ao que é ligado às classes mais abastadas, em detrimento do que se relaciona às classes inferiores. Dessa forma, a arte da periferia, por ser repleta de traços do seu contexto de produção, é vista co-mo inferior à dos demais movimentos artísticos, evidenciando um preconceito da sociedade no tocante à sua origem e aos valores que ela veicula.
Ademais, outro agravante da problemática é a capitalização da arte. No período do Renascimento, houve o advento das pinturas e das esculturas que retratavam o mundo e o homem com perfeição de detalhes. Esse modelo artístico foi e continua consagrado, sendo avaliado em proporções significativas no âmbito monetário. Tal capitalização evidencia a ideia de que o valor financeiro e o valor cultural são sinô-nimos, levando ao desprestígio de manifestações populares que não são vistas em museus, mas no cenário urbano, como a arte periférica.
Portanto, urge a necessidade de que o Ministério da Educação e o Ministério da Cultura promovam reformulação de materiais didáticos escolares e cursos de for-mação docente sobre o assunto, além de exposições em museus e galerias de arte com as obras de artistas desse movimento. Tais ações concretizar-se-ão por meio de investimentos financeiros concisos e projetos de incentivo cultural, possíveis devido à arrecadação e à destinação de impostos, e objetivam a divulgação da arte brasileira de todas as origens, bem como a valorização daquela que transmite uma cultura tão poderosa: a da periferia.