ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 16/10/2025

O filme “Cidade de Deus”, dirigido por Fernando Meirelles, retrata como a arte e a criatividade podem emergir até mesmo em contextos de vulnerabilidade social, revelando seu potencial transformador dentro das periferias. No Brasil, entretanto, a arte produzida nesses espaços ainda é marcada pela invisibilidade e pelo preconceito. Nesse sentido, a concentração de investimentos em centros urbanos e a visão elitista que desvaloriza manifestações populares dificultam o reconhecimento dessas produções.

Nesse cenário, a escassez de políticas públicas voltadas à arte de periferia impede que essa expressão alcance espaços de prestígio. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2022), o setor cultural movimenta cerca de 3% do Produto Interno Bruto brasileiro, mas os recursos são majoritariamente direcionados a grandes produções, deixando de contemplar coletivos e artistas periféricos. Essa desigualdade reforça a centralização cultural e limita a ascensão social por meio da arte. Dessa forma, é imprescindível permitir que a periferia também produza e compartilhe cultura, reforçando a necessidade de ações governamentais inclusivas e eficientes.

Além disso, o preconceito social perpetua a marginalização da arte periférica. O pesquisador Teixeira Coelho destaca que a sociedade tende a associar o valor da arte ao status social de quem a produz, excluindo expressões vindas das classes populares. Assim, essa visão hierarquizada faz com que manifestações culturais das periferias sejam vistas como amadoras, e não como legítimas formas de arte. Nesse contexto, com maior reconhecimento do valor social da arte periférica, seria possível incluir esses artistas no cenário nacional e fortalecer a cultura brasileira.

Portanto, é evidente a importância e a necessidade de resolver as problemáticas apresentadas. Para isso, o Ministério da Cultura deve criar editais de fomento e programas de capacitação voltados a coletivos artísticos das periferias, por meio de parcerias com universidades e ONGs. O objetivo é garantir recursos, formação técnica e visibilidade para os artistas, estimulando o respeito e o reconhecimento das produções. Desse modo, será possível construir um país em que a arte, assim como em “Cidade de Deus”, seja uma forma de resistência e transformação social.