ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
A arte, desde os primórdios da humanidade, atua como reflexo das experiências e expressões coletivas de um povo. No entanto, no Brasil contemporâneo, a arte produzida nas periferias ainda enfrenta significativos obstáculos. A série documental “Quebrada – Vozes do Gueto” (2021) evidencia essa realidade ao dar visibilidade a artistas periféricos que lutam contra o apagamento de suas narrativas. Nesse contexto, é possível observar que a marginalização da arte periférica decorre principalmente do preconceito estrutural e da falta de incentivo e acesso a políticas culturais democráticas, o que perpetua as desigualdades.
Sob uma primeira análise, é importante destacar que o preconceito estrutural é um dos principais entraves à valorização da arte periférica. A sociedade brasileira, marcada por um histórico de desigualdades sociais e raciais, tende a associar a produção artística das periferias à informalidade, desconsiderando seu valor estético e social. Essa visão elitista é evidenciada no pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, que, em A Distinção (1979), explica como as classes dominantes legitimam certas expressões culturais enquanto marginalizam outras. Assim, a arte periférica, que expressa vivências reais de resistência e identidade, é frequentemente excluída dos espaços culturais hegemônicos, como museus.
Outra exemplificação clara, é como a falta de políticas públicas de incentivo e acesso à produção cultural periférica aprofunda essa exclusão simbólica. Embora o Brasil possua programas como a Lei Rouanet, a distribuição desigual dos recursos culturais faz com que a maioria dos financiamentos se concentre nas regiões centrais e em produções de grande visibilidade midiática. Dessa forma, perpetua-se um ciclo de exclusão, em que a cultura popular permanece subvalorizada e invisibilizada diante do circuito artístico tradicional.
Diante disso, é imprescindível que medidas concretas sejam tomadas para reverter esse quadro. O Ministério da Cultura, em parceria com as prefeituras municipais e coletivos periféricos, deve criar programas de fomento específicos para artistas de periferia, com editais simplificados e ampla divulgação nas mídias públicas. Essa medida visa democratizar o acesso à arte e garantir que as vozes periféricas sejam reconhecidas como parte essencial da cultura brasileira.