ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
Da margem ao centro: a valorização da arte periférica no Brasil.
Na contemporaneidade, a arte periférica esteve presente em grandes cidades, expressando a identidade, a resistência e a criatividade das comunidades marginalizadas, sendo um importante instrumento de transformação social e cultural. Porém, essa forma de arte ainda enfrenta falta de investimento público, preconceito social e escassez de espaços de divulgação, o que compromete sua valorização no cenário cultural brasileiro.
Contudo, é interessante citar que os recursos à cultura no Brasil ainda se concentram em grandes centros e projetos etilizados. Segundo o IBGE, um estudo que sustenta o ponto de vista é que apenas 13% dos municípios brasileiros possuem centros culturais ou teatros ativos, o que dificulta o acesso de artistas periféricos a editais e patrocínios. Essa desigualdade limita a visibilidade de grupos de dança, música, grafite e literatura marginal, que dependem de iniciativas comunitárias para se manter. Por isso, a ausência de políticas públicas voltadas à periferia perpetua o distanciamento entre o centro e as bordas culturais.
Outrossim, é imprescindível comentar sobre o preconceito social que associa a arte periférica à marginalidade, que tem como linguagens o rap, o grafite e o slam, que ainda são vistas com estigma, apesar de representarem resistência e identidade. O coletivo “Mulheres da Amazônia”, por exemplo, utiliza o grafite para promover a inclusão e valorização das artistas periféricas, mas enfrenta dificuldades de reconhecimento. Além disso, a mídia tradicional também contribui para essa invisibilidade ao priorizar produções de elites culturais.
Diante do dilema exposto e, com o objetivo de garantir oportunidades justas de produção e difusão da arte periférica, é significativamente importante a intervenção do Governo Federal, em parceria com secretarias de cultura e coletivos artísticos, para criar políticas culturais específicas para a periferia e ampliar editais de incentivo. Tais ações podem ser implementadas com descentralização de verbas, construção de centros culturais comunitários e apoio a projetos locais. Valorizar a arte da periferia é reconhecer que o Brasil pulsa também nas margens — e que delas nasce a verdadeira diversidade cultural do país.