ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 17/10/2025

Na canção “Diário de um Detento”, dos Racionais MC’s, nota-se a arte como instrumento de denúncia e resistência social. Essa obra, nascida nas periferias, retrata realidades invisibilizadas e revela o poder transformador da expressão artística. Contudo, apesar de sua relevância, a arte de periferia ainda enfrenta barreiras para ser valorizada no Brasil. Tal problemática decorre do preconceito estrutural e da ausência de políticas públicas consistentes voltadas à democratização da cultura. Assim, torna-se urgente refletir sobre os desafios que impedem seu reconhecimento pleno. De acordo com o filósofo e sociólogo brasileiro Jessé Souza, as desigualdades de classe e o preconceito simbólico moldam a percepção do que é “arte legítima”. Nesse sentido, expressões culturais periféricas como o rap, o grafite e o slam são muitas vezes desvalorizadas por não seguirem os padrões estéticos das elites urbanas. Essa exclusão simbólica marginaliza os artistas e impede que suas produções sejam reconhecidas como patrimônio cultural. Consequentemente, reforça-se uma hierarquia que privilegia a arte elitizada em detrimento da popular. Tal cenário enfraquece a diversidade cultural e a identidade nacional. Ademais, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 215, garante o direito ao acesso à cultura e impõe ao Estado o dever de valorizá-la. Entretanto, esse princípio nem sempre é cumprido, visto que políticas públicas voltadas às periferias são escassas. A concentração de investimentos em grandes centros e a falta de incentivo às produções locais limitam a inclusão cultural. Essa negligência institucional perpetua desigualdades históricas e inviabiliza o desenvolvimento artístico em comunidades periféricas. Dessa forma, a arte continua restrita a espaços de privilégio social. Portanto, é fundamental promover ações que ampliem o reconhecimento da arte periférica no país. O Ministério da Cultura, em parceria com secretarias estaduais e ONGs culturais, deve criar editais específicos e projetos itinerantes que levem oficinas e exposições às comunidades. Essa iniciativa deve ocorrer por meio de investimentos públicos e incentivos fiscais, garantindo recursos e visibilidade aos artistas locais. Assim, será possível democratizar o acesso à cultura e fortalecer o protagonismo das periferias, construindo um cenário artístico verdadeiramente inclusivo e representativo