ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 18/10/2025

Aristóteles, grande pensador da Antiguidade, defendia a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude da essência humana. Para o filósofo, sem a razão e a sabedoria, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Nesse contexto, ao presenciar os desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro, vê-se que o princípio aristotélico não é alcançado, na medida em que a desigualdade social e o preconceito estrutural ainda são fatores que potencializam essa característica social e, infelizmente, dificultam a construção de um ambiente cultural diverso e igualitário. A desigualdade social faz com que artistas periféricos tenham pouco acesso a oportunidades e visibilidade. Isso mostra a falta de consciência crítica da sociedade, que acaba ignorando e desvalorizando essas expressões culturais. Ademais, nota-se o preconceito estrutural como um fator que dificulta a resolução do entrave. Conforme Zygmunt Bauman, em sua teoria das “Instituições Zumbis”, as instituições sociais, como o Estado, dissolveram suas funções de controle e regimento da ordem, sendo “zumbis” pelo fato de manterem-se vivas, mas sem eficácia de intervenção. É por essa razão que a arte periférica ainda é estigmatizada e enfrenta resistência em espaços de prestígio cultural, o que reforça a desigualdade e a falta de representatividade no meio artístico. Portanto, é crucial reverter o quadro atual. Para que haja valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro, o Ministério da Cultura precisa incentivar políticas públicas de fomento à produção artística periférica, por meio de editais, exposições e programas educacionais que promovam o acesso à cultura nas escolas e comunidades, a fim de ampliar a visibilidade dessas manifestações e reduzir estigmas sociais. Dessa forma, a população será capaz de sair da “menoridade intelectual” e, felizmente, concretizar os ideais aristotélicos de sabedoria e igualdade.