ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
No livro “Quarto de Despejo: o diário de uma favelada” de Carolina Maria de Jesus, nos é retratado a dura realidade de uma catadora de lixo na favela do Canindé, que ainda tem de alimentar os filhos. Seu conteúdo se passa durante o programa “50 anos em 5” de Juscelino Kubitschek, revelando a desigualdade no Brasil. Poucos anos antes, ocorria o “Bota-Abaixo”, programa da prefeitura do Rio de Janeiro para reformar o centro, “embelezá-lo”, expulsando os pobres aos morros. Ambos os pontos mostram a raiz da marginalização da periferia, ilustrando um preconceito sistemático e como afeta os meios de expressão da comunidade.
Sob esse prisma, na música “Perpétuo”, da banda Black Pantera, nos é lembrado que a raiz da humanidade é negra. Devido ao “Bota-Abaixo” e fim mal planejado da escravidão, boa parte da população de periferia é negra, que se torna propício a “inflar” o racismo. Estes denigrem a imagem de artistas periféricos, e suas artes, como músicas ou livros, com o objetivo de inferiorizá-los. A grande maioria dos gêneros musicais, como Rock, Rap e Jazz vêm da cultura negra, portanto, o preconceito contra o que vem da periferia é puro racismo.
Além disso, Há de se mencionar, também, um emergente no debate público, Chavoso da USP. O influenciador, cientista político, ativista social e músico relata, em suas composições de Funk e Rap, a perseguição do artista negro e periférico, justamente pela desigualdade de tratamento que recebe da elite e política municipal, ou seja, escancara a desigualdade dentre os artistas, em especial, a exclusão de shows públicos, contrários ao Artigo 215 da Constituição Federal.
Portanto, conclui-se que artistas periféricos apresentam uma dificuldade extra para alcançar reconhecimento devido ao preconceito. Já quanto ao Estado, a ele cabe incentivar os pequenos artistas via Lei Rouanet e Artigo 215, com ampliação das leis e programas para grupos periféricos via remanejamento de gastos e investimentos para melhor atender a proposta. Desta maneira, a “competição” pelo reconhecimento se tornará mais justa aos artistas periféricos, ajudando a combater o preconceito e alavancando causas sociais, bem como ampliando o acesso a cultura e arte, tornando a proposta essencial para a população, visto o grande potencial cultural das áreas de periferia.