ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 18/10/2025
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º o direito ao acesso à cultura como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o desafio da valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro, dificultando, deste modo, a democratização e o reconhecimento dessa expressão artística tão relevante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a falta de investimento público e visibilidade midiática como um dos principais entraves. Nesse sentido, segundo as ideias do filósofo Pierre Bourdieu, a cultura é um campo de poder no qual as classes dominantes impõem seus gostos e valores, marginalizando outras formas de expressão. Essa conjuntura configura-se como uma violação do direito à igualdade cultural, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que todos os cidadãos desfrutem de oportunidades de expressão artística, como os artistas das periferias, que infelizmente são subvalorizados no país.
Ademais, é fundamental apontar o preconceito estrutural e a elitização do meio artístico como impulsionadores desse problema no Brasil. Segundo dados do Observatório de Favelas, projetos culturais periféricos recebem investimentos significativamente menores em comparação a iniciativas de grandes centros urbanos. Diante do exposto, percebe-se a urgência de se combater essa desigualdade simbólica.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Cultura, amplie os editais de incentivo e crie campanhas midiáticas que divulguem a produção artística periférica, a fim de promover a equidade cultural e fortalecer o protagonismo das periferias. Assim, será possível construir uma sociedade mais inclusiva e plural, onde a arte, independentemente de sua origem, receba o devido reconhecimento e respeito.