ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 15/10/2025
Apesar da busca por diversidade na Semana de 1922, a arte periférica brasileira é marginalizada. Sua desvalorização decorre da defasagem estrutural de fomento e do preconceito estético de classe. Tais desafios ignoram a potência criativa da “quebrada”, culminando na privação do acesso à cultura e à expressão plena, um direito social fundamental.
O entrave institucional é notório na falta de suporte. Segundo Bourdieu (capital cultural), a validação da obra depende de legitimação por museus e editais. Contudo, a baixa representatividade da arte periférica (graffiti, slam) nos espaços de financiamento reflete práticas excludentes. Essa ausência perpetua a invisibilidade e a precariedade dos artistas da base, mantendo a elite como guardiã da “alta cultura”.
Ademais, a valorização é tolhida pelo estigma social. As manifestações periféricas são muitas vezes criminalizadas por abordarem temas como desigualdade e violência. Esse preconceito estético impede o reconhecimento da complexidade dessas expressões em pé de igualdade com a arte “erudita”. Desqualificar a arte do gueto desconsidera sua capacidade de ser um potente instrumento de crítica social e de transformação comunitária.
Portanto, o Ministério da Cultura (MinC) deve criar o Programa PRO-PERI (Fomento à Arte de Periferia). Essa ação deve ser concretizada por meio de editais simplificados e descentralizados, com cotas fixas de 70% para artistas de baixa renda. Tal medida visa ampliar o acesso ao capital financeiro e legitimar nacionalmente essas manifestações.