ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 18/10/2025

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 215, garante o direito à livre expressão cultural e à valorização das manifestações populares. No entanto, no Brasil, a arte produzida nas periferias ainda enfrenta obstáculos para ser reconhecida como legítima e relevante no cenário cultural dominante, marcado por elitismo e exclusão histórica.

Segundo pesquisa do Instituto Data Favela (2023), mais de 70% dos artistas periféricos afirmam que não têm acesso a espaços formais de divulgação, como galerias, teatros e editais públicos. O filósofo Pierre Bourdieu já apontava que o capital cultural é distribuído de forma desigual, e isso se reflete na invisibilidade de expressões como o rap, o slam e o grafite, que são frequentemente marginalizados por não se encaixarem nos padrões estéticos tradicionais. A arte periférica, embora potente e transformadora, ainda é vista como resistência, e não como cultura legítima.

Além disso, a falta de políticas públicas específicas e o preconceito social dificultam a valorização desses artistas. Projetos como o “Favela Sounds” e o “Festival Batalha da Escada” mostram que há produção cultural rica e diversa nas bordas urbanas, mas sem apoio institucional, essas iniciativas permanecem restritas. A ausência de incentivo educacional e de cobertura midiática contribui para a manutenção de um cenário excludente.

Diante disso, é necessário que o Ministério da Cultura, em parceria com prefeituras e coletivos locais, crie editais exclusivos para artistas periféricos, com critérios acessíveis e divulgação nas comunidades. Essa ação deve ocorrer por meio de centros culturais descentralizados e plataformas digitais públicas, garantindo visibilidade e apoio técnico. O objetivo é inserir a arte da periferia no circuito cultural nacional, promovendo diversidade e inclusão. Como detalhe adicional, é essencial que essas políticas sejam acompanhadas de formação artística nas escolas públicas, para que a valorização comece desde cedo e se torne parte da identidade cultural brasileira.