ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 13/10/2025
No livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, a autora retrata, por meio de seu diário, a dura realidade das favelas paulistanas e a força criativa presente nas vozes marginalizadas. Apesar dos avanços sociais, a reflexão presente na obra continua atual, pois a arte produzida nas periferias brasileiras ainda enfrenta dificuldades para ser valorizada e legitimada no cenário cultural nacional. Nesse viés, é possível notar que a problemática se desdobra em razão da negligência governamental e do silenciamento midiático.
Sob essa ótica, deve-se ressaltar a elitização dos espaços culturais. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, o acesso à cultura é determinado por um “capital cultural” que legitima certos gostos e práticas em detrimento de outros. Nesse contexto, é evidente que manifestações como o rap, o grafite e o slam, embora expressem realidades autênticas e denunciem desigualdades sociais, são frequentemente marginalizadas por não se enquadrarem nos padrões estéticos dominantes. Dessa forma, a ausência de políticas públicas que incentivem a democratização do acesso à cultura reforça o distanciamento entre o centro e a periferia, perpetuando estigmas e exclusões.
Por conseguinte, a escassez de visibilidade midiática para artistas periféricos agrava esse cenário. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), menos de 20% dos recursos destinados à cultura alcançam projetos realizados em regiões de baixa renda, o que limita o desenvolvimento dessas expressões. Nesse sentido, muitos artistas encontram barreiras para profissionalizar seu trabalho e conquistar reconhecimento social. Assim, a desigualdade estrutural não apenas restringe a diversidade cultural, mas também priva a sociedade de narrativas plurais e representativas da realidade brasileira.
Portanto, são essenciais medidas operantes para fortalecer e valorizar a arte de periferia. Para isso, cabe ao Ministério da Cultura, por meio da integração de iniciativas e ações reforçadas, implementar editais de fomento e promover mostras públicas que deem visibilidade às produções periféricas, a fim de combater o preconceito simbólico ainda existente. Dessa forma, será possível democratizar o acesso à cultura e construir um cenário artístico mais inclusivo.