ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 15/10/2025

Na obra “O Mundo de Sofia”, de Jostein Gaarder, é retratada a importância da arte e do conhecimento para a formação humana. Fora da ficção, entretanto, o Brasil enfrenta desafios para valorizar a arte de periferia, que ainda é pouco reconhecida no cenário cultural. A negligência estatal e o preconceito social são fatores que intensificam essa desvalorização.

Percebe-se, a princípio, que a omissão governamental agrava esse quadro. De acordo com o filósofo Jean-Jacques Rousseau, o Estado deve agir em prol do bem comum. Contudo, a ausência de políticas públicas eficazes e o baixo investimento em espaços culturais dificultam que artistas periféricos tenham oportunidades de difusão e reconhecimento. Assim, a falta de incentivo limita a visibilidade de manifestações culturais importantes, como o grafite, o rap e o slam.

Além disso, o preconceito social reforça a marginalização desses artistas. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a cultura dominante tende a impor seus valores e excluir o que foge do padrão. Sob esse viés, a arte de periferia é, muitas vezes, associada à criminalidade ou à falta de qualidade, o que impede que seja reconhecida como legítima expressão artística. Essa visão elitista restringe o acesso de criadores periféricos a espaços de destaque e perpetua a desigualdade cultual.

Infere-se, portanto, a necessidade de valorizar a arte periférica no Brasil. Cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, criar editais e projetos de incentivo à arte popular, promovendo oficinas e festivais em comunidades. Além disso, as mídias devem divulgar produções periféricas, a fim de romper estigmas e ampliar seu alcance. Assim, será possível construir uma sociedade mais justa e plural, na qual toda forma de arte tenha seu devido valor.