ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
A obra Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, retrata a dura realidade das periferias e evidencia o poder da arte como forma de denúncia e resistência. Entretanto, no Brasil, artistas periféricos ainda sofrem com a invisibilidade e a falta de reconhecimento, resultado de um cenário cultural que privilegia produções elitizadas e ignora manifestações populares. Assim, a ausência de incentivos e de políticas públicas eficazes reforça a desigualdade e torna a valorização da arte de periferia um desafio urgente para a efetivação da igualdade cultural.
Em primeiro plano, conforme o artigo 215 da Constituição Federal, é dever do Estado garantir o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes da cultura nacional. Contudo, essa previsão legal não se concretiza, visto que grande parte dos artistas periféricos enfrenta dificuldades para obter recursos e espaços de exposição, sendo marginalizados por preconceito e desigualdade. Logo, a falta de investimento público e o elitismo cultural restringem o acesso à arte e impedem o desenvolvimento de talentos vindos das classes populares.
Em segundo plano, o sociólogo Pierre Bourdieu afirma que o valor simbólico da arte é determinado pelas relações de poder, o que explica por que produções de origem popular são menos valorizadas. No contexto brasileiro, isso se manifesta na invisibilidade das expressões artísticas periféricas, que, apesar de ricas em criatividade e representatividade, não recebem o devido reconhecimento. Portanto, torna-se essencial que a sociedade rompa com essa hierarquia cultural e promova ações que deem voz e espaço aos artistas das periferias.
Portanto, cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com as secretarias estaduais e municipais, ampliar programas de incentivo à arte periférica, oferecendo editais de fomento e espaços públicos para apresentações. Além disso, é fundamental que os meios de comunicação divulguem produções locais, fortalecendo a identidade cultural e reduzindo o preconceito. Desse modo, será possível valorizar a diversidade artística do país, garantir oportunidades iguais e transformar a arte de periferia em símbolo de resistência e cidadania.