ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 18/10/2025
Segundo Jean-Paul Sartre, em sua teoria sobre a “Acomodação Social”, existem assuntos silenciados socialmente. Desse modo, tal premissa pode ser associada à dificuldade de valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas a fim de remediar essa situação, que possui como causas a negligência estatal e o preconceito estrutural.
Primeiramente, nota-se que há um descaso governamental no que tange à promoção da cultura periférica. Nesse sentido, no livro “O Cidadão de Papel”, verifica-se a materialização de que os direitos previstos na Constituição Federal de 1988 não são garantidos a todos na prática. Dessa forma, esse problema se manifesta pela ausência de investimentos públicos, pela escassez de espaços culturais nas periferias e pela falta de políticas que reconheçam a importância social desses artistas. Assim, inúmeros talentos permanecem sem oportunidades de difundir suas obras e de transformar suas realidades por meio da arte.
Além disso, o preconceito estrutural representa outro entrave à valorização da arte periférica. Dessa forma, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que o ser humano líquido adotou uma maneira individualista de pensar, o que impede o reconhecimento da diversidade cultural. No contexto artístico, isso se traduz na elitização dos espaços de exposição e em estereótipos que desvalorizam produções vindas das camadas populares. Logo, tal lógica dificulta a construção de um cenário cultural plural, que seja meio de inclusão, representatividade e justiça social.
Portanto, cabe ao Estado investir uma parcela maior do PIB (Produto Interno Bruto) em políticas de incentivo à cultura periférica, garantindo acesso a editais, equipamentos e espaços de divulgação para artistas de todas as regiões. Isso deve ocorrer por meio da ampliação dos centros culturais nas comunidades, da oferta de oficinas artísticas e da criação de programas de fomento específicos para produções locais. Ademais, é essencial fomentar campanhas educativas que conscientizem sobre a importância da arte periférica. Assim, tal ação tem a finalidade de remediar a negligência estatal e o preconceito estrutural, contrapondo o elucidado no livro “O Cidadão de Papel”.