ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
No filme “Bróder” (2011), dirigido por Jeferson De, jovens da periferia paulistana lidam com a invisibilidade social e a falta de oportunidades, mostrando como as expressões culturais periféricas ainda são desvalorizadas no Brasil. Com efeito, infelizmente, esse fato configura a realidade de muitos brasileiros, os quais são afetados pelo preconceito que marginaliza a arte periférica, além da escassez de investimentos públicos que limita sua difusão. Sendo assim, é importante que ações sejam efetivadas para mudar esse cenário.
Sob esse viés, é relevante destacar que o preconceito estrutural impede o reconhecimento da arte periférica como legítima expressão cultural. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 215, garante o direito de todos ao acesso e à valorização das manifestações culturais, o que torna injustificável a exclusão de artistas das periferias. Desse modo, a marginalização dessas produções reflete não apenas um problema estético, mas também social, ao negar visibilidade a vozes que representam a diversidade cultural do país.
Outrossim, cabe ressaltar que a falta de políticas públicas consistentes limita o desenvolvimento da arte periférica. Segundo dados da Funarte, os investimentos em cultura concentram-se em regiões centrais, dificultando o alcance das produções periféricas. Nesse sentido, iniciativas como a Lei Aldir Blanc, criada durante a pandemia, mostraram o impacto positivo de se democratizar recursos culturais, mas evidenciaram também a necessidade de ações permanentes e estruturadas. Assim, sem apoio financeiro e institucional, a arte da periferia permanece restrita a espaços informais, invisibilizando talentos locais.
Depreende-se, portanto, que, para reduzir os desafios enfrentados pela arte periférica no Brasil, é imprescindível que o Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, desenvolva um programa nacional de incentivo à produção periférica, contemplando editais, capacitação, feiras, exposições e parcerias com coletivos e escolas locais. Dessa maneira, será possível ampliar o reconhecimento e a valorização da arte periférica, permitindo que talentos, como os retratados em “Bróder”, ocupem o espaço que merecem no cenário cultural brasileiro.