ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 18/10/2025

“A arte existe porque a vida não basta”, afirmou Ferreira Gullar, ressaltando o poder transformador da expressão artística. No entanto, no Brasil, a arte produzida nas periferias ainda enfrenta sérias barreiras para conquistar reconhecimento e espaço no cenário cultural. Entre os principais desafios estão a falta de investimento público e o preconceito social que marginaliza as produções oriundas das camadas populares, impedindo que elas sejam plenamente valorizadas.

Em primeiro lugar, a escassez de recursos destinados à cultura dificulta o desenvolvimento da arte periférica. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 14% dos municípios brasileiros possuem políticas públicas voltadas ao incentivo artístico. Essa ausência de apoio impede a manutenção de projetos culturais, coletivos independentes e espaços comunitários de criação. Como resultado, muitos artistas talentosos ficam sem condições de divulgar seu trabalho, perpetuando a exclusão cultural e econômica.

Além disso, o preconceito estrutural ainda limita a valorização da arte produzida fora dos grandes centros. Segundo o IBGE, mais de 60% dos artistas periféricos afirmam enfrentar discriminação por sua origem social. Esse estigma faz com que manifestações culturais como o rap, o slam e o grafite sejam muitas vezes associadas à marginalidade, em vez de reconhecidas como legítimas expressões artísticas. Assim, a arte da periferia é silenciada, apesar de refletir com autenticidade a realidade e a resistência de milhões de brasileiros.

Diante disso, é essencial que o Ministério da Cultura promova programas de fomento específicos para projetos artísticos periféricos, priorizando editais acessíveis e feiras culturais itinerantes. Essas ações devem ser desenvolvidas em parceria com coletivos locais, garantindo visibilidade e reconhecimento às produções que nascem das periferias. Dessa forma, será possível construir um cenário cultural mais justo, diverso e representativo da verdadeira identidade brasileira.