ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 16/10/2025
A arte sempre desempenhou papel essencial na expressão de identidades e na transformação social. No Brasil, contudo, a arte produzida nas periferias ainda enfrenta obstáculos significativos para alcançar reconhecimento e valorização no cenário cultural nacional. Essa realidade decorre, sobretudo, da persistência do preconceito social e da falta de políticas públicas que promovam a inclusão artística. Desse modo, é necessário compreender os desafios enfrentados pelos artistas periféricos e refletir sobre medidas que garantam sua efetiva valorização.
Em primeiro lugar, o preconceito estrutural existente na sociedade brasileira contribui diretamente para a desvalorização da arte de periferia. Isso ocorre porque grande parte da população ainda associa as manifestações culturais periféricas à marginalidade e à informalidade, ignorando seu potencial estético e social. Essa visão limitada reflete a herança de uma sociedade historicamente desigual, em que as expressões artísticas das elites são privilegiadas em detrimento das populares. Assim, o preconceito social perpetua um ciclo de invisibilidade que impede o reconhecimento do talento e da criatividade presentes nas comunidades periféricas.
Além disso, a ausência de políticas públicas voltadas à democratização do acesso aos espaços culturais agrava esse cenário de exclusão. Muitos artistas das periferias não dispõem de recursos para investir em formação, divulgação ou infraestrutura para suas produções. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apenas 18% dos municípios brasileiros possuem políticas contínuas de incentivo à cultura, o que revela a falta de apoio estatal ao setor. Dessa forma, as iniciativas periféricas acabam restritas aos próprios territórios, sem alcançar o público mais amplo e sem receber o devido reconhecimento, o que limita a consolidação da arte periférica como parte valorizada da cultura nacional.
Diante disso, é essencial que o Ministério da Cultura, junto às prefeituras locais, crie editais e centros culturais voltados à arte periférica. Com apoio público e de universidades, essas ações podem capacitar e divulgar artistas das periferias, promovendo igualdade de oportunidades e uma sociedade mais plural e justa. Desse modo, tal mazela não ocorrerá mais na sociedade atual.