ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 17/10/2025

Desde o surgimento do movimento hip-hop, que uniu música, poesia e resistência nas periferias, a arte marginal tem se mostrado uma poderosa ferramenta de transformação social. Entretanto, apesar de sua relevância, o reconhecimento dessas expressões ainda enfrenta barreiras impostas pelo elitismo cultural brasileiro. Desse modo, percebe-se que a exclusão simbólica reflete uma sociedade que nem sempre valoriza o que nasce fora dos centros urbanos.

Sob essa ótica, Pierre Bourdieu, ao tratar do “capital cultural”, explica que apenas certos grupos são legitimados a definir o que é arte. Assim, manifestações como o grafite, o funk e o slam são frequentemente desvalorizadas, mesmo representando de forma autêntica as vivências populares. Diante disso, constata-se que a falta de incentivo público e de reconhecimento institucional reforça, portanto, a desigualdade cultural no país.

Além disso, de acordo com o IBGE (2023), apenas 10% dos investimentos culturais federais foram destinados a projetos de regiões periféricas, o que revela o descaso estrutural com esses artistas. Essa exclusão financeira reforça uma das teses centrais da problemática: a carência de investimento público e privado impede o fortalecimento das expressões culturais das comunidades. Consequentemente, o Brasil perde a oportunidade de valorizar sua diversidade artística e de construir uma identidade cultural mais plural e representativa.

Portanto, é necessário que o Ministério da Cultura promova editais voltados à arte periférica, por meio do aumento de investimentos e da criação de espaços acessíveis, a fim de valorizar essas manifestações e ampliar seu alcance. Como detalhamento, é importante incluir ações formativas e de divulgação. Somente assim o país reconhecerá a periferia como parte essencial de sua riqueza cultural.