ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
Em um país marcado por desigualdades históricas, a arte da periferia emerge como uma poderosa ferramenta de expressão e resistência. No entanto, apesar de sua relevância social e cultural, essa produção artística ainda enfrenta inúmeros desafios para ser reconhecida e valorizada no cenário cultural brasileiro. Um exemplo que evidencia esse fenômeno é o surgimento do grupo Racionais MC’s na década de 1990, que, por meio do rap, denunciou as mazelas sociais enfrentadas nas periferias de São Paulo. Ainda assim, mesmo com amplo impacto, o grupo enfrentou resistência das elites culturais, revelando a persistente marginalização da arte periférica.
Um dos principais obstáculos à valorização da arte de periferia está na elitização do espaço cultural brasileiro, que historicamente privilegia manifestações artísticas eurocêntricas e produzidas por classes mais abastadas. Essa hierarquização simbólica exclui, muitas vezes, expressões culturais oriundas das periferias, como o slam, o grafite e o funk, relegando-as ao status de “subcultura” ou até mesmo criminalizando-as. A filósofa e professora brasileira Sueli Carneiro, ao discutir o racismo estrutural, ressalta que há um apagamento sistemático das vozes negras e periféricas nos espaços de poder.
Além disso, a escassez de políticas públicas específicas e o difícil acesso a editais de fomento cultural dificultam a consolidação de artistas periféricos no circuito formal da arte. Como apontado por Eliane Brum, jornalista e escritora brasileira, o Brasil é um país onde o centro fala pelo todo, silenciando as bordas. Portanto, sem a descentralização dos recursos e da tomada de decisões culturais, a arte periférica segue invisibilizada, mesmo quando é pulsante e transformadora.
Dessa forma, para que a arte de periferia seja efetivamente valorizada no Brasil, é fundamental que o Ministério da Cultura (MinC) atue de forma proativa na promoção da equidade cultural. Para isso, propõe-se a criação de um programa nacional intitulado “Cultura das Bordas”. Esse programa pode incluir editais simplificados, formações para capacitação de coletivos e parcerias com instituições públicas e privadas para democratizar os meios de produção e difusão artística,
contribuindo para a construção de um cenário cultural verdadeiramente plural.