ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 21/10/2025

A arte é um potente instrumento de transformação social, e as periferias urbanas brasileiras são celeiros de talentos essenciais para a identidade nacional. Contudo, o pleno reconhecimento dessa produção artística é dificultado por sérios desafios, estruturais e preconceituosos, que perpetuam a marginalização do que é periférico. Diante desse panorama, o preconceito social e a escassez de apoio financeiro são os principais obstáculos.

Em primeiro plano, o preconceito social emerge como o principal entrave a ser superado. Essa barreira reside na aporofobia — termo cunhado pela filósofa Adela Cortina para designar a aversão aos pobres — que atua como um filtro social. Por conta dessa fobia, a arte é avaliada não por seu mérito estético, mas pela condição socioeconômica de seus criadores. Isso leva inevitavelmente à desqualificação de manifestações artísticas oriundas das periferias, a exemplo do hip hop, do funk, do slam e do teatro de rua. Desse modo, a arte periférica é simplisticamente associada à violência e à marginalidade, o que restringe drasticamente sua aceitação em espaços oficiais e dificulta a inserção de seus artistas no mercado formal.

Ademais, a deficiência nas políticas públicas e a escassez de recursos financeiros atuam como barreiras concretas. Muitos coletivos operam com orçamentos limitados, contando com autogestão. Portanto, a dificuldade em acessar patrocínios e editais — frequentemente burocráticos e centralizados — limita a expansão dos projetos e a sustentabilidade, impedindo que a potência criativa desses territórios se desenvolva plenamente.

Torna-se evidente, portanto, que a plena valorização da arte de periferia é um imperativo ético e social. Para tanto, é fundamental que o Ministério da Cultura crie programas de fomento e capacitação descentralizados e específicos para a produção periférica. Tais ações devem ter como foco a facilitação do acesso a editais e a reserva de cotas em espaços oficiais, visando superar a desigualdade e reconhecer a periferia como o centro pulsante da estética nacional brasileira.