ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 18/10/2025

A arte sempre foi um reflexo da sociedade, revelando suas desigualdades e potências. No Brasil, manifestações culturais oriundas das periferias, como o rap, o grafite e o funk, representam resistência e identidade, tal como o movimento hip-hop dos anos 1980 nos Estados Unidos. No entanto, apesar de sua relevância social, a arte periférica ainda enfrenta dois grandes desafios: o preconceito estrutural que marginaliza suas expressões e a falta de políticas públicas que promovam sua valorização.

Em primeiro lugar, o preconceito e a elitização cultural dificultam o reconhecimento da arte de periferia como legítima forma de expressão. Muitos artistas, especialmente negros e de classes populares, têm suas produções associadas à criminalidade ou à informalidade, o que reforça estereótipos e afasta o público mais amplo. Essa discriminação simbólica, discutida por Pierre Bourdieu, revela como o capital cultural é distribuído de forma desigual, restringindo o acesso e o prestígio a determinadas formas de arte em detrimento de outras.

Além disso, a ausência de políticas públicas eficazes contribui para a invisibilidade desses artistas. Faltam editais, incentivos fiscais e espaços culturais que priorizem produções periféricas, o que limita sua circulação e sustentabilidade econômica. Sem apoio institucional, muitos projetos culturais são mantidos de forma independente e precária, o que compromete sua continuidade e alcance. Essa negligência estatal perpetua a concentração de recursos em centros urbanos e em artistas já consolidados.

Diante desse cenário, é essencial que o poder público, em parceria com instituições culturais e a mídia, implemente políticas de democratização do acesso à arte. Isso inclui ampliar editais específicos para coletivos periféricos, criar programas de formação artística nas comunidades e promover campanhas que valorizem a diversidade cultural brasileira. Somente por meio da inclusão e do reconhecimento das vozes periféricas será possível construir um cenário artístico mais plural e representativo, capaz de refletir toda a riqueza e complexidade do país.