ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 15/10/2025

No livro Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, retrata o cotidiano de uma menina que vivia às margens da sociedade, enfrentando a desigualdade social e, junto da sua mãe, lutava para sobreviver e lidar com as dificuldades econômicas. A leitura dessa obra torna compreensível o entendimento das problemáticas que os que vivem na periferia enfrentam para conseguir ser reconhecidos socialmente, com destaque para a arte produzida nessas regiões.

Diante desse cenário, é importante considerar a realidade em que vivemos, na qual os indivíduos marginalizados enfrentam, devido ao pouco fomento governamental, a falta de infraestrutura para desenvolver seus projetos e oportunidades de dar voz à sua criatividade. Quando há tentativa, são totalmente desincentivados por classes sociais com maiores condições financeiras e têm pouca divulgação. Segundo o Data.Rio, cerca de 82% das exposições artísticas estão concentradas no Centro e na Zona Sul do Rio de Janeiro, o que priva muitos moradores de regiões marginalizadas de acessarem as obras e divulgarem o que é produzido de forma autônoma nessas áreas. Atualmente, é o investimento e a propaganda que garantem visibilidade à arte.

Ademais, os artistas periféricos lutam contra o preconceito derivado de ideais eurocêntricos. O rapper Emicida revela, em suas músicas e entrevistas, as inúmeras críticas que recebe em sua carreira por contar sua origem e denunciar a realidade em que viveu por meio de suas produções. Muitos indivíduos deixam de consumir, ou até passam a adotar uma postura agressiva em relação à arte periférica, por acreditarem que o conteúdo derivado da elite social é de maior qualidade.

Portanto, é crucial que haja ações governamentais que, por meio da promoção da arte nas regiões periféricas, como a realização de exposições e o investimento em projetos que deem voz às periferias, sejam constantes. Além disso, é necessária a realização de palestras em ambientes escolares e de trabalho que conscientizem os indivíduos sobre o preconceito e tudo o que está relacionado a ele, para que, dessa forma, possam apreciar as obras e a cultura de maneira geral, sem um olhar parcial. Assim, a arte de todos poderá ser reconhecida na sociedade.