ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 17/10/2025

Segundo o filósofo Emmanuel Lévinas, a alteridade — o reconhecimento do outro como um indivíduo único e de direitos — constitui a base para uma sociedade ética. Contudo, no que tange à valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro, esse princípio é frequentemente negligenciado. Tal cenário persiste devido não só ao preconceito estrutural que marginaliza essas manifestações artísticas, mas também a uma falha do sistema de ensino em abordá-las.

Primeiramente, vê-se necessário salientar que a problemática decorre, em grande parte, devido ao preconceito que está enraizado na sociedade contemporânea. Sobre esse tópico, o sociólogo Zygmunt Bauman, em seu livro “Modernidade Líquida”, afirma que os laços sociais se tornam cada vez mais frágeis e descartáveis, formando “bolhas” sociais, que julgam expressões artísticas diferentes, como as periféricas, como inferiores ou piores. Dessa forma, formas de arte como o grafite, o hip-hop e as batalhas de rima, se tornam marginalizadas e desrespeitadas por certa parcela da população.

Ademais, a negligência do sistema de ensino perpetua essa problemática. De acordo com o pensamento do educador Paulo Freire, a educação deve funcionar como uma ferramenta de libertação, capaz de expandir a consciência crítica dos indivíduos sobre a realidade. No entanto, ao manter um currículo predominantemente eurocêntrico, a escola brasileira se omite e falha em apresentar a riqueza das manifestações culturais da periferia. Essa lacuna educacional não apenas priva os alunos de um conhecimento plural, mas também fortalece o preconceito, ao tratar como invisível uma parte fundamental da identidade cultural do país.

Portanto, medidas são necessárias para combater o preconceito estrutural e educacional. Para isso, o Ministério da Educação (MEC) deve reformular a Base Nacional Comum Curricular para incluir o estudo da arte periférica. Isso pode ocorrer por meio de diretrizes que incentivem projetos e oficinas com artistas locais nas escolas, a fim de ampliar o repertório dos alunos e estimular a alteridade. Assim, o Brasil poderá valorizar sua diversidade cultural.