ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 18/10/2025

Ao publicar seu livro Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus não apenas revelou a realidade diária de uma moradora das periferias brasileiras, mas foi amplamente elogiada por sua narrativa crua. Esse reconhecimento, no entanto, mostra-se ainda exceção diante dos muitos desafios que a arte periférica enfrenta para ser valorizada no cenário cultural do Brasil. Apesar da riqueza e da força expressiva presentes nas produções artísticas das periferias, esses trabalhos frequentemente esbarram em preconceitos, falta de visibilidade e ausência de apoio institucional.

Um dos principais obstáculos para a valorização da arte periférica é o estigma social associado às periferias, que são vistas por grande parte da sociedade como espaços de pobreza e violência, e não como fontes legítimas de cultura e criatividade. Esse preconceito cultural dificulta que artistas periféricos tenham espaço nas grandes mídias, nas galerias renomadas e nas políticas públicas de incentivo à arte. Além disso, a escassez de investimentos direcionados às periferias limita as condições de produção, formação e divulgação desses trabalhos, marginalizando ainda mais essas expressões artísticas.

Outro desafio importante é a questão do acesso. Muitos artistas periféricos enfrentam barreiras como falta de infraestrutura, materiais adequados, espaços para ensaios e exposições, além do difícil acesso às redes de contato com o mercado cultural formal. Essa exclusão estrutural dificulta a existências de tais artistas panorama artístico nacional.

Para superar esses obstáculos, é fundamental que haja uma mudança de perspectiva social, acompanhada de políticas públicas que reconheçam e incentivem a diversidade cultural presente nas periferias. A valorização da arte periférica leva não apenas ao fortalecimento da cultura brasileira como um todo, mas à promoção da inclusão social e do respeito às diferenças. Programas de fomento artístico descentralizados, parcerias com coletivos locais e maior visibilidade em plataformas culturais nacionais e internacionais são estratégias essenciais para garantir que a arte produzida nas periferias conquiste seu devido espaço.