ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
A Semana da Arte Moderna, ocorrida em 1922, impulsionou a inovação e promoveu a exaltação da cultura brasileira, tendo sido um importante marco para o desenvolvimento da arte no país. Atualmente, observa-se um retrocesso no que diz respeito à valorização da arte brasileira, sobretudo a periférica. Tal cenário é provocado, principalmente, devido à falta de investimentos estatais e à sua visão negativa na sociedade.
A priori, é importante compreender que a carência de investimentos no âmbito da arte periférica perpetua a sua desvalorização. De acordo com a Constituição de 1988, é dever do Estado valorizar e difundir a cultura. Contudo, o que se observa, na prática, é a concentração de recursos em centros culturais elitizados, dificultando o acesso de artistas periféricos a editais, espaços de exibição e formação artística. Desta forma, a falta de investimentos na arte das periferias não acarreta somente a sua desvalorização, como também fere um direito garantido na Carta Magna brasileira.
Além disso, os estigmas relacionados de classe e raça, que perduram até os dias atuais, influenciam negativamente a percepção das produções artísticas produzidas nas periferias. Isso se observa na história de Machado de Assis, renomado autor brasileiro, que frequentemente era “embranquecido” pela sociedade da época, que via como inaceitável uma pessoa negra se destacar intelectualmente. Tal visão reflete um preconceito estrutural, que ainda está presente na realidade brasileira, com a associação da cultura periférica à criminalidade e, consequentemente, à sua desvalorização como “subcultura”.
Portanto, para mitigar tal problemática, é necessário que o Ministério da Cultura promova mais visibilidade e valorize a arte periférica, através de investimentos em exposições, mostras culturais e centros de arte e cultura periférica, a fim de inserir a arte periférica no cenário cultural. Além disso, o Ministério da Cultura deve conscientizar a população acerca da importância desse tipo de arte por meio de campanhas e palestras que busquem desconstruir estigmas e mostrar a relevância social e estética da arte periférica. Assim, será possível valorizar não apenas a arte periférica, como também a diversidade que compõe a identidade brasileira.