ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 18/10/2025

A arte é uma forma importante de expressão e identidade, mas no Brasil, a produção cultural vinda das periferias ainda enfrenta muitos obstáculos para ser valorizada. Grande parte dessa arte tem origem nas comunidades negras e faveladas, que, historicamente, foram excluídas dos espaços centrais da sociedade. Esse processo de exclusão, junto ao preconceito com as favelas, faz com que muitas manifestações artísticas sejam ignoradas ou vistas com inferioridade. Assim, a valorização da arte periférica enfrenta desafios que precisam ser enfrentados para garantir uma cultura mais justa e inclusiva.

Em primeiro lugar, é importante perceber como o preconceito influencia a forma como a arte da periferia é vista. Na música “Nego Drama”, o grupo Racionais MC’s mostra a realidade de quem vive na periferia e sofre com o racismo e a violência. Eles falam da dor de ser negro, pobre e artista em um país que muitas vezes marginaliza essas identidades. Apesar de suas músicas denunciarem problemas sociais e transmitirem mensagens importantes, muitos ainda não reconhecem o rap e outras expressões periféricas como arte de valor. Isso mostra como o preconceito cultural é um obstáculo real.

Além disso, a origem das favelas no Brasil ajuda a entender por que a arte produzida nesses espaços ainda é desvalorizada. Com a exclusão da população negra dos centros urbanos após a escravidão, muitos foram obrigados a morar nas margens das cidades, criando as favelas. Essa separação criou uma imagem negativa sobre esses locais. Um exemplo disso está no livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, que relata a vida difícil em uma favela de São Paulo. Mesmo sendo uma autora talentosa e com histórias impactantes, ela demorou a ser reconhecida justamente por ser uma mulher negra e pobre.

Diante disso, é necessário que o Estado crie políticas de incentivo à arte periférica, com mais espaços, editais e apoio financeiro. Também é essencial que a sociedade mude sua visão, reconhecendo a cultura das favelas como parte legítima da identidade brasileira. Assim, será possível valorizar a arte de todos, sem distinções