ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 18/10/2025
A Constituição Federal de 1988 assegura o pleno exercício dos direitos culturais, contudo, a arte de periferia, expressão vital da diversidade nacional, ainda luta por reconhecimento. Embora seja rica e potente, sua valorização é barrada por entraves históricos e sociais. Nesse sentido, é crucial analisar a invisibilidade institucional e o preconceito elitista como os principais desafios a serem superados para que essa produção ocupe seu devido lugar no cenário cultural.
Primordialmente, a invisibilidade institucional é um dos maiores obstáculos à ascensão da arte periférica. Segundo a tese da “Cidadania Regulada”, do sociólogo Wanderley Guilherme dos Santos, o acesso a direitos e bens públicos é frequentemente condicionado a critérios de pertencimento social. Por conseguinte, a ausência de equipamentos culturais, como teatros e museus, nas periferias reflete a omissão estatal, que concentra o investimento cultural nos centros urbanos. Além disso, essa carência de infraestrutura limita a capacidade dos artistas de exibirem suas obras e alcançarem um público mais amplo, mantendo-os à margem do circuito formal.
Ademais, o preconceito elitista desvaloriza a estética e a linguagem da produção periférica. O Manifesto da Antropofagia Periférica, por exemplo, clama pela valorização do batuque e da poesia que brotam “na porta do bar”, em oposição à arte “patrocinada” pela elite. Desse modo, expressões como o funk, o grafite e a literatura marginal são rotineiramente estigmatizadas e associadas à criminalidade por uma visão conservadora. Em outras palavras, essa desqualificação impede que a potência crítica e a identidade social contidas nessas artes sejam reconhecidas como legítimo patrimônio cultural.
Portanto, medidas são necessárias para reverter essa situação. Cabe ao Ministério da Cultura criar o programa “Cultura Viva na Periferia”. Por meio de editais de fomento e da construção de centros culturais comunitários, a ação promoverá artistas locais e ampliará o acesso à arte nessas regiões. Dessa forma, essa iniciativa, detalhada em campanhas de valorização na mídia, terá como finalidade quebrar o ciclo de invisibilidade, garantindo que a potência das margens enriqueça a identidade nacional.