ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
No documentário “Amarelo – É Tudo Pra Ontem” (2020), o artista Emicida evidencia como a arte nascida das periferias traduz resistências, dores e esperanças de uma população historicamente silenciada. Entretanto, no Brasil, essa expressão cultural ainda é subvalorizada, sendo frequentemente associada a estigmas sociais. A carência de incentivos públicos e o preconceito estrutural dificultam o reconhecimento dos artistas periféricos como legítimos representantes da cultura nacional. Diante disso, é necessário discutir os desafios que inviabilizam a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro.
Em primeiro lugar, o preconceito simbólico é um dos principais entraves. A sociedade tende a associar a produção periférica a algo “menor” ou “marginal”, ignorando seu valor estético e social. Esse fenômeno reflete o que Pierre Bourdieu denomina de violência simbólica, processo em que grupos dominantes impõem suas visões de cultura como únicas e superiores. Assim, a ausência de representatividade nos grandes centros culturais e na mídia reforça a exclusão e invisibiliza manifestações artísticas autênticas, como o rap, o slam e o grafite.
Além disso, a escassez de políticas públicas e de investimentos agrava o cenário. Muitos artistas da periferia carecem de espaços adequados para produzir e divulgar suas obras, ficando restritos a iniciativas locais. Essa negligência estatal impede que a arte cumpra seu papel de transformação social, uma vez que ela funciona como voz de denúncia e instrumento de empoderamento. Portanto, sem incentivos consistentes e editais inclusivos, o potencial cultural dessas regiões permanece subaproveitado, perpetuando desigualdades históricas.
Dessa forma, é imprescindível valorizar a arte periférica como expressão legítima da identidade nacional. Para isso, o Ministério da Cultura deve criar editais específicos que financiem projetos de artistas de periferia e ampliem a presença dessas obras em museus e eventos públicos. Ademais, os meios de comunicação precisam divulgar produções oriundas das comunidades, desconstruindo estigmas e ampliando o acesso do público a essa forma de expressão. Assim, o Brasil reconhecerá na arte da periferia não uma exceção, mas uma de suas maiores riquezas culturais.