ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 14/10/2025

Friedrich Nietzsche, filósofo alemão, afirmou que “temos a arte para não morrer da verdade”, destacando o poder da criação artística como forma de resistência. No entanto, no Brasil, as manifestações culturais das periferias ainda enfrentam obstáculos para obter reconhecimento e valorização. Essa dificuldade decorre, sobretudo, da marginalização histórica dessas produções e da falta de políticas públicas voltadas à sua integração.

Em primeiro lugar, as expressões artísticas periféricas costumam ser vistas como menos legítimas, por estarem associadas a contextos de pobreza e exclusão social. Essa desvalorização reflete uma estrutura que privilegia produções vindas de centros urbanos e classes mais altas, relegando as criações populares a um plano secundário. O geógrafo Milton Santos explica que as desigualdades do espaço urbano limitam o acesso e a visibilidade cultural, o que reforça a exclusão desses artistas.

Além disso, há escassez de investimentos em políticas culturais voltadas à periferia. Historicamente, os recursos concentram-se em projetos de maior apelo comercial, deixando de lado produções comunitárias. Grupos como o Coletivo Poesia de Esquina, do Rio de Janeiro, mostram que a criatividade resiste mesmo com pouco apoio, mas a falta de incentivo estatal restringe o alcance dessas obras.

Portanto, o Ministério da Cultura deve criar programas específicos de fomento à arte periférica, com editais que garantam acesso direto aos artistas. Governos locais também podem formar redes de divulgação e circulação dessas produções. Assim, será possível construir um cenário cultural mais inclusivo, que valorize a diversidade e reafirme a arte como expressão legítima de todas as realidades sociais.