ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 13/10/2025

A arte, em suas diversas formas, é um importante instrumento de expressão social e identidade cultural. No entanto, no contexto brasileiro, observa-se que a arte produzida nas periferias ainda enfrenta inúmeros obstáculos para ser reconhecida e valorizada. Essa problemática se relaciona, sobretudo, à negligência governamental na promoção de políticas públicas voltadas à cultura periférica e à persistência de preconceitos sociais que desvalorizam manifestações artísticas populares.

Em primeiro lugar, a falta de incentivo do poder público contribui para a invisibilidade dos artistas das periferias. Apesar de a Constituição Federal, em seu artigo 215, garantir o direito de acesso à cultura, muitos criadores enfrentam a escassez de recursos e oportunidades para desenvolver seus trabalhos. Essa negligência limita a difusão de manifestações culturais que representam a realidade das comunidades. O rapper Emicida, por exemplo, retrata em suas composições as dificuldades de reconhecimento que enfrentou no início da carreira, evidenciando a ausência de políticas de apoio à arte periférica. Desse modo, a omissão estatal reforça a exclusão cultural e impede o fortalecimento da diversidade artística nacional.

Além disso, a visão preconceituosa da sociedade contribui para a desvalorização das expressões culturais periféricas. Gêneros como o funk, o rap e o grafite são frequentemente associados à marginalidade, o que demonstra a permanência de um elitismo cultural. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, o capital cultural é usado pelas classes dominantes para legitimar determinados tipos de arte, enquanto outras são desconsideradas.

Diante disso, é necessário adotar medidas que valorizem efetivamente a arte periférica. O Ministério da Cultura, em parceria com as prefeituras e instituições de ensino, deve criar programas de incentivo e editais específicos para artistas de comunidades periféricas, por meio da destinação de recursos e espaços culturais acessíveis, com a finalidade de ampliar a visibilidade dessas produções. Somente com a união do Estado e da sociedade será possível romper barreiras e garantir à cultura periférica o espaço que merece.