ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 18/10/2025
Segundo o filósofo Friedrich Nietzsche, “a arte existe para que a realidade não nos destrua”. Essa afirmação reforça a importância da expressão artística como instrumento de transformação social e de construção de identidade. No Brasil, as produções culturais vindas das periferias têm papel fundamental nesse processo, por revelarem vivências e narrativas frequentemente ignoradas. No entanto, a arte periférica ainda enfrenta grandes desafios para alcançar reconhecimento e espaço no cenário cultural do país. Entre os principais obstáculos estão o preconceito social e a falta de incentivo institucional.
Sob esse viés, o preconceito contra artistas e manifestações culturais das periferias é um fator que impede sua valorização. De acordo com uma pesquisa do Datafolha (2019), 62% dos brasileiros reconhecem que existe discriminação contra moradores de regiões periféricas, o que reflete diretamente na recepção de suas produções artísticas. Muitos estilos, como o funk, o rap e o graffiti, são vistos com estigma e associados à criminalidade, apesar de representarem importantes expressões de identidade e resistência. Assim, a falta de reconhecimento cultural reforça desigualdades e exclui vozes que poderiam enriquecer a arte nacional.
Além disso, a ausência de políticas públicas e de investimentos adequados limita a expansão da arte periférica. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 12% dos municípios brasileiros possuem centros culturais públicos, o que reduz as oportunidades de exposição e financiamento para artistas independentes. A concentração de recursos em regiões centrais e o pouco apoio a projetos comunitários tornam a produção periférica dependente de iniciativas autônomas. Logo, a desigualdade estrutural restringe o potencial de transformação social da arte produzida nas margens.
Portanto, a valorização da arte de periferia no Brasil é prejudicada pelo preconceito e pela falta de incentivo. Para mudar esse cenário, o Governo Federal deve ampliar editais culturais voltados a artistas periféricos e promover eventos inclusivos. Além disso, a mídia pode ajudar a divulgar essas produções, aproximando o público e reduzindo o estigma. Assim, a arte periférica poderá ocupar seu devido espaço e fortalecer a diversidade cultural do país.