ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 17/10/2025

A arte é, como afirmou Friedrich Nietzsche, “a tarefa suprema e a atividade propriamente metafísica desta vida”. No entanto, no Brasil, essa tarefa encontra barreiras quando nasce nas margens. As produções artísticas das periferias — que englobam o rap, o slam, o grafite e outras expressões — sofrem com o preconceito estrutural e a falta de apoio institucional, o que as mantém distantes do reconhecimento merecido. Nesse contexto, os desafios da valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro revelam não apenas uma questão estética, mas também social e política.

Em primeiro lugar, a estrutura histórica de desigualdade e preconceito impede que a arte periférica seja vista como legítima manifestação cultural. Pierre Bourdieu, sociólogo francês, explica que o “capital cultural” determina o prestígio de certas formas de arte em detrimento de outras. Assim, as expressões populares, nascidas em territórios marginalizados, são frequentemente rotuladas como “menores” ou “violentas”.Essa elitização do espaço artístico reproduz o abismo social que separa o “centro” e a “margem”, invisibilizando vozes que têm muito a dizer sobre o país real.

Além disso, a ausência de políticas públicas e incentivo financeiro limita o alcance e a profissionalização desses artistas. Paulo Freire afirmava que “a cultura é o exercício da liberdade”, mas essa liberdade torna-se restrita quando o Estado e as instituições culturais negligenciam projetos vindos da periferia. Sem editais acessíveis, infraestrutura ou formação continuada, esses movimentos permanecem à margem de festivais, museus e meios de difusão mais amplos, perpetuando a desigualdade simbólica no campo cultural.