ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 18/10/2025

A arte sempre foi um reflexo da sociedade e um instrumento de transformação. No Brasil, porém, as expressões artísticas das periferias ainda enfrentam dificuldades para conquistar valorização e espaço no cenário cultural. A falta de investimento público e o preconceito social são dois grandes obstáculos que limitam o reconhecimento desses artistas. Assim, é preciso refletir sobre como essas barreiras dificultam a inclusão cultural e pensar em caminhos para superá-las.

Em primeiro plano, podemos destacar a escassez de políticas públicas voltadas à arte periférica. Desde a criação da Lei Rouanet, em 1991, a maior parte dos recursos concentra-se em grandes centros e produções já consolidadas. Segundo o IPEA, mais de 80% dos incentivos beneficiam regiões centrais, enquanto projetos comunitários ficam esquecidos. Essa desigualdade impede que artistas da periferia tenham meios para produzir, divulgar e viver de sua arte, restringindo o papel cultural e educativo que suas obras poderiam exercer.

O segundo obstáculo é o preconceito que marginaliza a cultura das periferias. Estilos como o rap, o funk e o grafite ainda sofrem resistência, sendo vistos como “inferiores” por parte da elite cultural. Essa visão elitista, explicada por Pierre Bourdieu como resultado da distinção de classe, reforça a exclusão e impede o reconhecimento da riqueza e da autenticidade da arte popular. Valorizar essas expressões é reconhecer a diversidade e a potência criativa que vêm das comunidades.

Portanto, é essencial que o Estado amplie editais culturais e incentive projetos voltados às periferias, além de promover nas escolas o contato com diferentes manifestações artísticas. Isso permitirá combater estigmas e democratizar o acesso à cultura. Desse modo, a arte periférica deixará de ser vista como marginal e passará a ocupar o lugar de destaque que merece na construção da identidade brasileira.