ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
O filme Pantera Negra, de Ryan Coogler, apresenta uma nação africana orgulhosa de suas origens, o que contrasta com a realidade brasileira, marcada pelo apagamento da herança africana que ajudou a formar o país. Mesmo com avanços, como a Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas, a valorização dessa herança ainda enfrenta barreiras ligadas ao racismo estrutural e à falta de reconhecimento cultural.
Primeiramente, o processo histórico de colonização contribuiu para o enfraquecimento da identidade afro-brasileira. Durante séculos, a cultura africana foi tratada como inferior e suas manifestações, como o samba e o candomblé, foram marginalizadas. Segundo o sociólogo Gilberto Freyre, a elite branca impôs um modelo de sociedade baseado na cultura europeia, o que silenciou parte essencial da formação nacional. Essa herança de exclusão ainda se reflete no preconceito e na ausência de representatividade positiva de pessoas negras.
Além disso, a escola e os meios de comunicação — espaços fundamentais de formação de identidade — não valorizam plenamente a cultura afro-brasileira. Muitos professores não recebem preparo adequado para trabalhar o tema, e a mídia ainda reproduz estereótipos ou limita a presença de artistas e intelectuais negros. Como aponta o educador Paulo Freire, a educação deve ser libertadora e promover o reconhecimento do outro; entretanto, o que se observa é uma educação que omite e perpetua desigualdades.
Portanto, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com universidades, invista na formação de professores e produção de materiais didáticos que tratem da história e cultura afro-brasileira de modo crítico. Além disso, o Ministério das Comunicações deve promover campanhas permanentes que mostrem o valor da contribuição africana na arte, na religião e na ciência. Assim, o Brasil poderá construir uma sociedade mais justa, consciente de que a herança africana não é apenas parte do passado, mas a base viva de sua identidade.