ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 18/10/2025

A arte é uma das principais formas de expressão humana e reflete as vivências, lutas e identidades de um povo. No Brasil, a arte produzida nas periferias tem se destacado por retratar realidades sociais muitas vezes invisibilizadas, reafirmando a potência criativa das comunidades populares. No entanto, a falta de reconhecimento institucional e as desigualdades históricas impõem grandes desafios para sua valorização no cenário cultural nacional.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), os artistas periféricos enfrentam dificuldades de acesso a editais, espaços de exposição e patrocínio. Essa exclusão revela o caráter elitista ainda presente nas políticas culturais brasileiras, que priorizam produções vindas de centros urbanos abastados. Além disso, o preconceito social e territorial faz com que a arte da periferia seja muitas vezes rotulada como “inferior” ou “alternativa”, perpetuando estigmas e limitando sua difusão.

Do ponto de vista sociológico, Pierre Bourdieu explica que o capital cultural influencia diretamente o reconhecimento das produções artísticas. Nesse sentido, artistas de regiões periféricas, por não pertencerem às classes dominantes, têm sua legitimidade frequentemente questionada. Essa desigualdade simbólica impede que manifestações culturais como o rap, o grafite e o slam sejam vistas como expressões legítimas da identidade nacional.

Ademais, a arte periférica tem papel fundamental na transformação social. Projetos culturais em favelas e comunidades, como oficinas de teatro, dança e poesia, têm oferecido oportunidades a jovens em situação de vulnerabilidade, promovendo inclusão e cidadania. Contudo, sem o devido incentivo público e visibilidade midiática, essas iniciativas permanecem restritas a um público limitado.

Portanto, é imprescindível que o Estado amplie políticas culturais descentralizadas, garantindo investimento e representatividade a artistas das periferias. Paralelamente, escolas e meios de comunicação devem valorizar essas produções, reconhecendo-as como parte essencial da cultura brasileira. Assim, será possível construir um cenário artístico mais diverso, inclusivo e representativo da realidade do país.