ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
De acordo com a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir o acesso e a valorização da cultura em todas as suas formas. Contudo, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que a lei prega, posto que a falta de reconhecimento da arte periférica contribui para o crescimento da desigualdade cultural no país. Tendo em vista que o mesmo vem contribuindo para a exclusão e invisibilidade de artistas das periferias, é urgente discutir esse impasse.
A princípio, é fundamental avaliar como a baixa atuação governamental contribui para o agravamento desse problema. Segundo o pensamento de Aristóteles, a arte é uma forma de expressar a alma humana, logo, deveria ser acessível e valorizada por todos. No entanto, esse ideal se distancia da realidade brasileira, pois a ausência de políticas públicas eficazes para fomentar e divulgar a produção cultural periférica limita o alcance desses artistas. Por consequência, observa-se a marginalização de manifestações culturais legítimas, como o rap, o grafite e o slam.
Da mesma forma, a falta de espaço na mídia e nas instituições culturais deve ser avaliada, pois deriva do preconceito e da elitização do consumo artístico. A falta de segurança e investimento nas regiões periféricas faz com que muitos talentos não tenham oportunidades de formação e divulgação. De acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), grande parte dos editais culturais ainda se concentra em regiões centrais e em artistas já consolidados. Observa-se, portanto, a manutenção de um ciclo de exclusão cultural e social.
Logo, fica evidente a necessidade de combater esse empecilho. Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Cultura, em parceria com as prefeituras locais, crie programas de incentivo e visibilidade que financiem projetos artísticos periféricos e promovam feiras culturais nas comunidades, por meio da inclusão de cotas regionais e sociais nos editais públicos, a fim de democratizar o acesso à arte e valorizar seus criadores. Caso essa proposta seja devidamente seguida, a sociedade brasileira poderá reconhecer que a arte periférica também é expressão legítima da identidade nacional.