ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 15/10/2025

“A arte salva vidas.” Observa-se na frase de Emicida, rapper brasileiro, o papel transformador da arte, capaz de oferecer novas perspectivas e oportunidades. Entretanto, no cenário cultural brasileiro, nota-se que a produção artística das periferias enfrenta desafios para ser valorizada, em razão da omissão estatal e da persistente desigualdade social.

Primeiramente, a omissão do Estado contribui para a desvalorização da arte de periferia no Brasil. Isso ocorre porque a ausência de políticas públicas e de espaços culturais acessíveis impede que artistas das periferias mostrem seu trabalho. Como resultado, muitas dessas expressões acabam sendo marginalizadas e vistas com preconceito, mesmo representando a realidade e a resistência de milhões de brasileiros. Desse modo, a falta de apoio governamental contribui para perpetuar a exclusão cultural e reforçar as desigualdades sociais no país.

Ademais, a desigualdade social e o preconceito da elite cultural agravam a desvalorização da arte produzida nas periferias. Constantemente, manifestações como o rap, o grafite e as batalhas de rima são vistas com estigma e associadas à criminalidade, em vez de serem reconhecidas como expressões legítimas da cultura popular. Essa visão elitista contribui para a exclusão de artistas talentosos que retratam, por meio de sua arte, as vivências e desafios das comunidades periféricas. Portanto, o preconceito social impede que a arte de periferia alcance o mesmo prestígio das produções convencionais, perpetuando a invisibilidade desses artistas no cenário cultural brasileiro.

Diante disso, é fundamental que o governo invista em políticas públicas voltadas à cultura periférica, criando espaços de formação artística e garantindo recursos para coletivos e projetos comunitários. Além disso, a sociedade e as instituições de ensino devem valorizar e incentivar essas expressões culturais, promovendo programas educativos e atividades que integrem a arte das periferias ao currículo escolar, fortalecendo a consciência cultural e social dos cidadãos. Com isso, é possível vislumbrar um cenário em que a arte de periferia seja reconhecida e valorizada, contribuindo para a redução das desigualdades culturais e fortalecendo a identidade social brasileira no século XXI.