ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
A arte sempre foi uma das expressões mais legítimas da identidade de um povo, refletindo suas dores, sonhos e lutas. No Brasil, a chamada “arte de periferia” representa um importante instrumento de resistência social e cultural, revelando talentos que nascem nas margens da sociedade. Contudo, apesar de sua potência transformadora, a arte produzida nas periferias enfrenta inúmeros obstáculos para alcançar reconhecimento e valorização, em razão do preconceito estrutural, da falta de políticas públicas e da elitização do acesso à cultura. Assim, é necessário compreender que a marginalização da arte periférica é também a exclusão simbólica de milhões de brasileiros de sua própria representatividade.
Um dos principais entraves à valorização dessa produção cultural é o preconceito histórico que associa as manifestações periféricas à violência ou à informalidade. Enquanto expressões oriundas das elites recebem apoio institucional e visibilidade midiática, as produções das favelas e bairros populares são frequentemente deslegitimadas, mesmo quando alcançam excelência estética e relevância social. Além disso, a ausência de investimentos consistentes em políticas culturais impede que artistas periféricos tenham acesso a editais, espaços de exposição e formação profissional, perpetuando um ciclo de invisibilidade. Essa desigualdade reforça a ideia de que o que vem da periferia é “menor”, quando, na verdade, é nela que pulsa uma das formas mais autênticas da cultura brasileira contemporânea.
Desse modo, a valorização da arte de periferia demanda uma atuação conjunta entre Estado, sociedade civil e meios de comunicação. O poder público deve ampliar políticas culturais inclusivas, assegurando investimentos, formação técnica e espaços de expressão para artistas das comunidades. As instituições de ensino, por sua vez, precisam promover o reconhecimento da diversidade estética brasileira, inserindo as produções periféricas no currículo escolar.Além disso, a mídia deve adotar uma postura ética e plural, divulgando essas manifestações sem estigmas ou preconceitos.Assim, será possível consolidar um cenário cultural verdadeiramente democrático, em que a arteindependentemente de sua origem — seja respeitada e celebrada como pilar da identidade nacional.