ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 21/10/2025

A arte é uma forma essencial de expressão e identidade cultural. No Brasil, porém, as produções vindas das periferias ainda enfrentam grandes obstáculos para conquistar reconhecimento. A marginalização histórica desses espaços e a falta de políticas públicas voltadas à cultura dificultam sua valorização. Além disso, as desigualdades sociais e raciais contribuem para a invisibilidade desses artistas. Segundo Pierre Bourdieu, a cultura dominante legitima apenas as expressões associadas às classes com maior prestígio, o que faz com que manifestações como o rap, o grafite e o slam — que retratam a realidade periférica — sejam vistas como “inferiores”, mesmo possuindo alto valor estético e social.

A ausência de investimentos públicos e privados agrava esse cenário. Muitos projetos culturais periféricos dependem de iniciativas autônomas e do engajamento comunitário para sobreviver. Embora programas como a Lei Aldir Blanc tenham democratizado o acesso a recursos, ainda há desigualdade na distribuição e reconhecimento desses investimentos. Essa falta de incentivo financeiro limita o alcance das produções e restringe seu público, dificultando o reconhecimento da periferia como produtora legítima de arte e cultura.

Outro obstáculo relevante é a representação midiática desses espaços, que frequentemente reforça estigmas, associando a periferia à violência e à pobreza. Isso reduz o reconhecimento da potência artística que emerge desses locais e perpetua preconceitos sociais. A ausência de visibilidade positiva impede que o público veja essas expressões como parte essencial da identidade cultural brasileira, reforçando a distância entre o centro e a margem da produção artística nacional.

Portanto, é essencial que o Estado amplie os editais de incentivo à produção cultural periférica e garanta sua presença em espaços de maior visibilidade. Além disso, a mídia e as escolas devem valorizar a diversidade e desconstruir estereótipos, promovendo inclusão e respeito. Assim, será possível reconhecer a arte da periferia como parte vital da cultura brasileira e garantir que todas as vozes, independentemente de origem, possam ser ouvidas e celebradas.