ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 21/10/2025

A obra “Cidade de Deus”, dirigida por Fernando Meirelles, retrata a vida em uma comunidade marcada pela desigualdade, mas também pela força criativa de seus moradores. Fora das telas, artistas periféricos expressam sua realidade por meio da música, da dança, da literatura e das artes visuais, mas ainda enfrentam barreiras para serem reconhecidos como legítimos produtores culturais. No Brasil, a arte da periferia é muitas vezes invisibilizada por preconceitos e pela falta de investimento público, o que dificulta sua valorização no cenário cultural.

Em primeiro lugar, a marginalização da arte periférica é consequência de um preconceito social enraizado. Historicamente, o país construiu uma visão elitista sobre o que é “cultura”, associando valor artístico a produções oriundas de centros urbanos e de classes mais favorecidas. Essa lógica excludente faz com que manifestações culturais das periferias, como o rap e o slam, sejam vistas com desconfiança, mesmo quando exercem importante papel de denúncia social. Assim, a desigualdade simbólica impede que artistas periféricos tenham o mesmo reconhecimento que produtores da elite cultural.

Além disso, a ausência de políticas públicas voltadas à democratização do acesso e da produção artística agrava o problema. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior parte dos investimentos em cultura concentra-se nas regiões centrais das grandes cidades, o que limita oportunidades para jovens criadores das periferias. Essa carência de incentivo institucional reduz a possibilidade de circulação das obras e dificulta a construção de um mercado cultural mais plural e representativo.

Portanto, é necessário que o Ministério da Cultura, em parceria com as prefeituras e coletivos locais, amplie programas de fomento à arte periférica, garantindo editais específicos, oficinas de capacitação e espaços de exposição nas cidades. Além disso, as mídias públicas e privadas devem promover a divulgação de produções artísticas periféricas, valorizando sua potência estética e social. Tais medidas permitirão que a arte da periferia ocupe o lugar de destaque que merece — como expressão legítima da diversidade cultural brasileira.