ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 14/10/2025
A arte, em suas diversas manifestações, reflete a identidade e as vivências de um povo. No Brasil, a arte produzida nas periferias surge como um instrumento de resistência e expressão social, traduzindo a realidade de milhões de cidadãos que convivem com desigualdades históricas. No entanto, apesar de sua relevância cultural e social, a arte periférica ainda enfrenta inúmeros desafios para alcançar reconhecimento e valorização no cenário artístico nacional.
Um dos principais obstáculos é o preconceito estrutural que marginaliza os artistas vindos das periferias. A herança de um país marcado pela desigualdade social e pelo elitismo cultural faz com que produções oriundas desses espaços sejam frequentemente associadas a uma suposta “falta de qualidade” ou “baixa sofisticação”. Essa visão estereotipada impede que manifestações como o rap, o grafite e o teatro comunitário recebam o mesmo apoio e visibilidade concedidos às produções de centros urbanos mais privilegiados, limitando a democratização da arte.
Além disso, a falta de incentivo governamental e de políticas públicas efetivas para a cultura periférica agrava esse cenário. Muitos artistas independentes dependem de projetos sociais ou iniciativas locais para desenvolver seu trabalho, sem o devido acesso a editais, formação técnica ou infraestrutura. Isso cria um ciclo de exclusão, no qual o talento e a criatividade são sufocados pela ausência de oportunidades. Como afirma o sociólogo Pierre Bourdieu, o capital cultural é distribuído de forma desigual, e essa desigualdade se reflete diretamente nas chances de reconhecimento artístico.
Portanto, a valorização da arte de periferia no Brasil exige uma mudança estrutural e simbólica. É fundamental que o Estado amplie o investimento em cultura, garantindo visibilidade e apoio a coletivos e artistas periféricos. Da mesma forma, a sociedade precisa reconhecer que a arte não é privilégio de poucos, mas um direito de todos e que nas periferias florescem expressões autênticas, criativas e transformadoras. Valorizar essa arte é reconhecer a diversidade e a potência cultural do próprio Brasil.