ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 17/10/2025
O álbum Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais MC’s, converte a experiência da periferia em denúncia poética, expondo com clareza a exclusão social, a violência policial e o racismo estrutural, essa obra ilustra como a produção periférica articula crítica e estética, mas também evidencia que, no Brasil contemporâneo, tais expressões enfrentam obstáculos estruturais para alcançar reconhecimento institucional e público. Assim, percebe-se que a ausência de políticas públicas eficazes e a persistência do preconceito simbólico contra criações originadas nas margens urbanas constituem entraves centrais à sua plena valorização.
Em primeiro lugar, a ausência de políticas públicas eficazes limita o alcance e a continuidade das produções periféricas. Muitos artistas dependem de editais e projetos esporádicos, que raramente garantem estabilidade ou visibilidade. Segundo o Ministério da Cultura, mais de 60% dos recursos de incentivo concentram-se nas capitais, dificultando a expansão de iniciativas locais. Essa desigualdade impede que expressões como o rap, o grafite e o teatro de rua alcancem o mesmo prestígio das produções de centros consolidados.
Ademais, a arte de periferia é frequentemente desvalorizada por um preconceito estrutural que associa a periferia à criminalidade e à falta de qualidade estética. Essa visão elitista desconsidera o papel transformador dessas produções, que refletem realidades sociais e ampliam o repertório cultural brasileiro. A marginalização simbólica da arte periférica reforça barreiras de classe e raça, dificultando seu reconhecimento como patrimônio cultural legítimo.
Diante do exposto, é essencial que o Estado amplie editais voltados exclusivamente à arte periférica, com critérios de inclusão regional e racial. Paralelamente, escolas e meios de comunicação devem promover ações educativas e culturais que valorizem artistas de comunidades marginalizadas, como festivais e mostras públicas. Ademais, parcerias entre universidades e coletivos locais podem fortalecer a formação artística e o registro histórico dessas manifestações. Assim, será possível romper estigmas e consolidar a arte de periferia como parte essencial da identidade cultural do país.