ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro
Enviada em 18/10/2025
A arte reflete a identidade de um povo, sendo instrumento de expressão e transformação social. No Brasil, entretanto, a arte produzida nas periferias enfrenta entraves para ser reconhecida e valorizada. Conforme o sociólogo Pierre Bourdieu, o capital cultural é distribuído de modo desigual, o que reforça a marginalização de manifestações populares. Nesse contexto, percebe-se que a desvalorização da arte periférica decorre, sobretudo, do preconceito estrutural que associa a periferia à marginalidade e da escassez de políticas públicas que incentivem a democratização cultural, fatores que limitam o reconhecimento da diversidade artística nacional.
Em primeiro lugar, o preconceito estrutural contribui para a invisibilização da arte periférica. Desde o período colonial, as expressões culturais populares foram vistas como inferiores, reforçando a ideia de que a cultura legítima é aquela produzida pelas elites. O documentário “Favela É Moda” (2019) evidencia esse cenário ao retratar jovens estilistas e modelos periféricos que enfrentam discriminação para conquistar espaço. Tal estigma não só deslegitima produções relevantes, mas também restringe oportunidades, perpetuando desigualdades simbólicas e sociais que impedem a ampliação da representatividade cultural.
Além disso, a falta de políticas públicas sólidas reforça a exclusão artística. Embora a Lei Aldir Blanc (2020) tenha buscado democratizar o acesso aos recursos culturais, muitos artistas das periferias continuam sem apoio técnico ou financeiro. Dados do IBGE (2022) mostram que apenas 22% dos municípios possuem centros culturais públicos, evidenciando a concentração das políticas em regiões centrais. Como consequência, a periferia segue produtora de arte, mas sem visibilidade e reconhecimento, o que empobrece a diversidade cultural brasileira.
Portanto, é essencial que o Ministério da Cultura, junto às Secretarias Estaduais e Municipais, crie editais permanentes de fomento à arte periférica, por meio de financiamento público acessível e divulgação nacional das produções, em parceria com escolas, coletivos e plataformas de streaming, a fim de promover inclusão, reconhecimento e valorização da produção artística das periferias. Assim, o Brasil poderá consolidar uma cultura verdadeiramente democrática e representativa.