ENEM 2024 (Reaplicação e PPL) - Desafios para a valorização da arte de periferia no cenário cultural brasileiro

Enviada em 16/10/2025

Na série Sintonia, produzida pela plataforma Netflix, observa-se como jovens das periferias paulistas utilizam a música, o grafite e o audiovisual como formas de expressão e resistência diante das desigualdades sociais. No contexto contemporâneo, a valorização da arte periférica ainda enfrenta obstáculos que dificultam seu desenvolvimento no país. Diante disso, são evidentes o preconceito estrutural que marginaliza as produções culturais das periferias e a falta de incentivo público que limita a expansão dessas expressões artísticas.

Primeiramente, é preciso atentar aos desafios do preconceito social e simbólico em relação às produções culturais periféricas. Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a cultura dominante tende a impor seus próprios padrões de legitimidade, desvalorizando manifestações artísticas populares que não seguem os moldes das elites. Nesse sentido, esse fenômeno é perceptível no Brasil, onde expressões como o funk, o rap e o grafite ainda sofrem preconceito e intolerância social. Assim, a arte periférica, permanece invisibilizada pelos grandes circuitos culturais, o que reforça desigualdades históricas e limita o reconhecimento de sua potência criativa.

Além disso, a ausência de políticas públicas e de incentivo financeiro compromete a consolidação da arte produzida nas periferias. De acordo com o Mapa da Cultura, divulgado pelo Ministério da Cultura, diversos projetos artísticos enfrentam dificuldade para se manter devido à escassez de editais e de infraestrutura. Ademais, tal problemática faz com que coletivos e artistas dependam de recursos próprios para expor suas obras, o que restringe seu alcance e profissionalização. Nesse sentido, a falta de exibição cultural, impede que a arte das periferias ocupe o lugar de destaque no cenário nacional.

Em suma, é fundamental que sejam tomadas medidas para promover a valorização da arte periférica no Brasil. Para isso, o Ministério da Cultura, deve ampliar os editais voltados para artistas e coletivos das periferias, garantindo financiamento contínuo e visibilidade às suas produções. Somente assim, será possível democratizar o acesso à cultura e consolidar a arte periférica como expressão legítima e essencial da identidade brasileira.